Eu detesto o absolutismo do todo, do completo, do real, do palpavel, prefiro a abstração da metade incompleta, do pedaço solitario, do quase isso, quase aquilo. Tudo pela metade é quase verso de poesia. A metade tem vida própria. O quase fala da sua necessidade em ser todo. Mas por que ser todo se a metade já é tão bela? Meia luz, meia noite, meia hora, meio do caminho, meia taça de vinho, meio amargo, meio doce, meia lua, meia entrada, meio ambiente, meio norte, coluna do meio, filho do meio, meio fio, meio lobo, meio homem , Lobisomem- Duas verdades de uma mesma mentira- uma verdade é uma mentira bem contada. Meios meus, minhas metades, meio eu, meia vida, morte e vida- Duas faces de uma mesma moeda- viver é mais perigoso que morrer. Sonhar é melhor que viver. Viver a vida pela metade- meia morte, meia sorte. Que todo meio seja sempre a cara metade da outra parte. Quero toda metade por inteiro e todo inteiro pela metade. Os fins justificam os meios desde que você não se perca na metade do caminho. Minhas meias palavras para maus entendedores. Perdoe-me pela ideia pela metade, pelos meios sem fim e se por um acaso um dia me encontrar no meio da rua- queira a minha metade mais doce, talvez a outra metade esteja ocupada com o meio de vida. E se sentir saudade, me procure nas entrelinhas, no meio de cada frase, nas meias palavras, na metade do seu coração. Eu serei inteiro enquanto estiver pela metade.